O jogo é para a maioria das pessoas uma actividade recreativa, sem consequências negativas. O jogo afecta apenas uma minoria das pessoas, de forma grave. Esta gravidade varia de intensidade conforme as pessoas e o seu contexto ambiental. As variantes começam na genética e na biologia, passam pelo ambiente familiar, social e cultural, terminando nas características, traços de personalidade, ou mesmo, no facto de residirem perto de um local de jogo, ou não. Tal como as variáveis que predispõem um jogador a tornar-se compulsivo são inúmeras, também as características que fundamentam a base do tratamento são múltiplas. Existe um saber muito próprio no conjugar de todos os factores terapêuticos aplicados àquela pessoa; “própria e específica”, que é diferente de todas as outras, apesar das semelhanças e características comuns desta população.
O típico jogador patológico tem de facto competências óptimas a nível profissional, social, até há quem defenda que possuem um QI mais elevado que a média, etc. No entanto têm uma rede de crenças/distorções cognitivas; uma impulsividade; uma forma incapaz e danosa de identificar e gerir sentimentos, que os arrasta para comportamentos destrutivos. É desta forma, que supostas qualidades revertem no manter de uma atitude egocêntrica que prejudica o próprio e todos à sua volta.
Por isso se sabe, que quando existe motivação para o tratamento e também uma rede assente na família, no cônjuge, no trabalho, na psicoterapia, nos grupos de auto-ajuda (para os próprios e familiares) as percentagens de sucesso aumentam consideravelmente.
Felizmente, em países mais desenvolvidos socialmente e economicamente, uma percentagem dos lucros dos casinos e dos impostos colectados pelo estado, são canalizados para a investigação, para centros de tratamento, para linhas de ajuda, para promoção da prevenção deste comportamento compulsivo (jogo responsável) a todos os níveis, etc., o que nos permite ter algumas ideias sobre o que fazer em Portugal. Lembrando que não existem praticamente estudos elaborados nesta matéria, excepção feita a alguns trabalhos universitários que apenas arranham a superfície do “iceberg”, seria urgente começar trabalhos de investigação em profundidade antes que o problema se agrave.
Urge começar a tomar medidas, pois parece aproximar-se a abertura de uma vaga de casinos, que promete aquecer o país, correndo o risco de se tornar num problema de saúde pública como já aconteceu noutros países (bem mais desenvolvidos).
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Jornal O Sol
Apostas online
Portugueses cada vez mais presos ao vício e a precisar de ajuda médica
Apostas on-line desportivas, de póquer e roleta dominaram nos últimos anos a vida de Miguel, um jogador compulsivo que resume o vício em três palavras: desafio, prisão e desespero, que o levaram a perder milhares de euros e a pedir ajuda médica.
Estes casos de jogo compulsivo chegam aos consultórios médicos à medida que a Internet se vai tornando mais acessível, sobretudo entre os jovens, mas segundo um psicólogo especialista em dependências são de difícil resolução.
A dependência de Miguel (nome fictício) começou há uma década, numa viagem de finalistas a Espanha, com as slot-machines. O desafio e o prazer que lhe proporcionavam começaram depois a atraí-lo para o Casino de Estoril, mas conseguiu resistir à tentação devido à distância que separava a sala de jogo da sua casa em Lisboa.
Há «quatro ou cinco anos» começou a apostar no mundo de jogos que a Internet oferecia e o vício foi-se agravando até se tornar uma «verdadeira prisão» que o levava muitas vezes a passar 12 horas agarrado ao computador e a perder 20 mil euros.
«Os jogos na Internet são o pior de tudo. É ter o vício em casa ou no trabalho disponível a qualquer momento», contou à Lusa o jovem, que preferiu não revelar o nome, mas que quis partilhar a sua experiência para alertar o número «cada vez maior» de jovens que caem nesta armadilha.
Começa-se a jogar por prazer, pelo desafio, com apostas muito pequenas. Mas depressa o desafio passa a uma necessidade incontrolável de jogar e «o dinheiro já não é importante». «Apostei em coisas que nem conhecia, como o hóquei norueguês», conta, recordando que numa aposta de póquer, que demorou 30 segundos, perdeu 600 euros.
Com a voz apressada, lembra ainda um fim-de-semana em que num acto de desespero para resgatar o dinheiro que estava a perder recorreu a uma conta bancária da mãe por telefone e gastou quatro mil euros.
Este acto ainda hoje o atormenta: «É um sentimento que não controlamos. Sabemos que nos prejudica, mas não conseguimos sair», afirma, recordando as muitas ocasiões no trabalho em que contava os minutos que faltavam para chegar a casa e jogar. «Se fosse preciso, começava a jogar às 19h00 e só parava às 06h00 do outro dia», disse, justificando: «quando se começa a perder entra-se na fase de desespero e jogamos para recuperar até ficar com a conta a zero».
A situação agravou-se há oito meses, quando foi viver sozinho e não tinha de dar satisfações a ninguém. «Em três dias gastava o meu ordenado de 1.700 euros e ficava sem dinheiro para comer», motivos que até obrigaram a mãe a pedir um empréstimo. Com a ajuda da namorada e dos pais, resolveu pedir ajuda médica há um mês por reconhecer que o jogo lhe estava a «arrasar» a vida, sendo o seu próximo passo procurar apoio nos Jogadores Anónimos.
Miguel não joga há um mês, mas confessa que é «muito difícil» resistir, lembrando que já tentou outras vezes e não conseguiu. «É um vazio complicado de gerir, uma pessoa viciada nunca deixa de o ser, vai vivendo um dia de cada vez tentando contornar o problema», lamentou.
Esta realidade é bem conhecida do psicólogo Pedro Hubert, especialista em jogo compulsivo e patológico, que alerta para os riscos desta dependência. Para o especialista, a grande dúvida é saber se os jogos on-line causam uma dependência mais rápida do que a oferta das salas de jogo tradicionais devido às vantagens que a Internet oferece sobre os casinos, como a acessibilidade, a disponibilidade 24 horas por dia, o pagamento com cartão de crédito e a confidencialidade.
Apesar de desconhecer o número de jogadores portugueses que apostam on-line, lembrou que o país tende a seguir a evolução de outros países como Inglaterra e Estados Unidos onde as percentagens de jogadores compulsivos têm «aumentado francamente».
A nível da sua experiência clínica, o psicólogo disse à Lusa que começa a ser significativo o número destes jogadores que procuram tratamento, totalizando já cerca de 15 por cento do total dos seus doentes.
Traçando o perfil destes jogadores, Pedro Hubert disse que são cada vez mais jovens, o que pode ser explicado com a sua facilidade em aceder à Internet. Além disso, muitos dos casos assinalados já tinham jogado em casinos.
«É uma geração que está muito habituada aos jogos e ao desafio de estarem ali com a máquina, àquele alheamento. A procura de euforia nessas máquinas tem uma facilidade com estes casinos on-line muito mais próximo», sustentou.
Quando os danos provocados pelo jogo começam a ser visíveis aparecem as dívidas, as mentiras, a agressividade, que destroem as relações familiares e muitas vezes a carreira profissional, além dos problemas de depressão ou vergonha.
Para Pedro Hubert, as consequências da adição on-line são tão destrutivas como o álcool e a droga, levando os familiares dos jogadores a procurarem a ajuda médica. Mas as taxas de sucesso da cura não são muito altas, entre os 30 e os 40 por cento, dependendo de vários factores, como a taxa de privação que a pessoa tem, se frequenta grupos de apoio de ajuda e do envolvimento familiar.
Bloquear os computadores, definir um limite de tempo e dinheiro antes de começar a jogar, criar linhas de ajuda e regras sobre publicidade ao jogo na Internet são alguns mecanismos que o psicólogo sugere para combater esta dependência.
Portugueses cada vez mais presos ao vício e a precisar de ajuda médica
Apostas on-line desportivas, de póquer e roleta dominaram nos últimos anos a vida de Miguel, um jogador compulsivo que resume o vício em três palavras: desafio, prisão e desespero, que o levaram a perder milhares de euros e a pedir ajuda médica.
Estes casos de jogo compulsivo chegam aos consultórios médicos à medida que a Internet se vai tornando mais acessível, sobretudo entre os jovens, mas segundo um psicólogo especialista em dependências são de difícil resolução.
A dependência de Miguel (nome fictício) começou há uma década, numa viagem de finalistas a Espanha, com as slot-machines. O desafio e o prazer que lhe proporcionavam começaram depois a atraí-lo para o Casino de Estoril, mas conseguiu resistir à tentação devido à distância que separava a sala de jogo da sua casa em Lisboa.
Há «quatro ou cinco anos» começou a apostar no mundo de jogos que a Internet oferecia e o vício foi-se agravando até se tornar uma «verdadeira prisão» que o levava muitas vezes a passar 12 horas agarrado ao computador e a perder 20 mil euros.
«Os jogos na Internet são o pior de tudo. É ter o vício em casa ou no trabalho disponível a qualquer momento», contou à Lusa o jovem, que preferiu não revelar o nome, mas que quis partilhar a sua experiência para alertar o número «cada vez maior» de jovens que caem nesta armadilha.
Começa-se a jogar por prazer, pelo desafio, com apostas muito pequenas. Mas depressa o desafio passa a uma necessidade incontrolável de jogar e «o dinheiro já não é importante». «Apostei em coisas que nem conhecia, como o hóquei norueguês», conta, recordando que numa aposta de póquer, que demorou 30 segundos, perdeu 600 euros.
Com a voz apressada, lembra ainda um fim-de-semana em que num acto de desespero para resgatar o dinheiro que estava a perder recorreu a uma conta bancária da mãe por telefone e gastou quatro mil euros.
Este acto ainda hoje o atormenta: «É um sentimento que não controlamos. Sabemos que nos prejudica, mas não conseguimos sair», afirma, recordando as muitas ocasiões no trabalho em que contava os minutos que faltavam para chegar a casa e jogar. «Se fosse preciso, começava a jogar às 19h00 e só parava às 06h00 do outro dia», disse, justificando: «quando se começa a perder entra-se na fase de desespero e jogamos para recuperar até ficar com a conta a zero».
A situação agravou-se há oito meses, quando foi viver sozinho e não tinha de dar satisfações a ninguém. «Em três dias gastava o meu ordenado de 1.700 euros e ficava sem dinheiro para comer», motivos que até obrigaram a mãe a pedir um empréstimo. Com a ajuda da namorada e dos pais, resolveu pedir ajuda médica há um mês por reconhecer que o jogo lhe estava a «arrasar» a vida, sendo o seu próximo passo procurar apoio nos Jogadores Anónimos.
Miguel não joga há um mês, mas confessa que é «muito difícil» resistir, lembrando que já tentou outras vezes e não conseguiu. «É um vazio complicado de gerir, uma pessoa viciada nunca deixa de o ser, vai vivendo um dia de cada vez tentando contornar o problema», lamentou.
Esta realidade é bem conhecida do psicólogo Pedro Hubert, especialista em jogo compulsivo e patológico, que alerta para os riscos desta dependência. Para o especialista, a grande dúvida é saber se os jogos on-line causam uma dependência mais rápida do que a oferta das salas de jogo tradicionais devido às vantagens que a Internet oferece sobre os casinos, como a acessibilidade, a disponibilidade 24 horas por dia, o pagamento com cartão de crédito e a confidencialidade.
Apesar de desconhecer o número de jogadores portugueses que apostam on-line, lembrou que o país tende a seguir a evolução de outros países como Inglaterra e Estados Unidos onde as percentagens de jogadores compulsivos têm «aumentado francamente».
A nível da sua experiência clínica, o psicólogo disse à Lusa que começa a ser significativo o número destes jogadores que procuram tratamento, totalizando já cerca de 15 por cento do total dos seus doentes.
Traçando o perfil destes jogadores, Pedro Hubert disse que são cada vez mais jovens, o que pode ser explicado com a sua facilidade em aceder à Internet. Além disso, muitos dos casos assinalados já tinham jogado em casinos.
«É uma geração que está muito habituada aos jogos e ao desafio de estarem ali com a máquina, àquele alheamento. A procura de euforia nessas máquinas tem uma facilidade com estes casinos on-line muito mais próximo», sustentou.
Quando os danos provocados pelo jogo começam a ser visíveis aparecem as dívidas, as mentiras, a agressividade, que destroem as relações familiares e muitas vezes a carreira profissional, além dos problemas de depressão ou vergonha.
Para Pedro Hubert, as consequências da adição on-line são tão destrutivas como o álcool e a droga, levando os familiares dos jogadores a procurarem a ajuda médica. Mas as taxas de sucesso da cura não são muito altas, entre os 30 e os 40 por cento, dependendo de vários factores, como a taxa de privação que a pessoa tem, se frequenta grupos de apoio de ajuda e do envolvimento familiar.
Bloquear os computadores, definir um limite de tempo e dinheiro antes de começar a jogar, criar linhas de ajuda e regras sobre publicidade ao jogo na Internet são alguns mecanismos que o psicólogo sugere para combater esta dependência.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Bem vindos!
Nós somos um grupo de Área de Projecto do 12º ano da turma 5 da Escola Secundária José Falcão. Este grupo é constituído por quatro elementos: João Pereira,Ricardo Almeida,Rui Lourenço e Vanessa Abrantes (enumerados por ordem alfabética).Todos nós pretendemos falar sobre Vícios,como o alcóol,as drogas,o jogo,o sexo e o consumismo.
Passou-nos inicialmente pela cabeça,diversos temas como por exemplo:um trabalho de apresentação e promoção da escola, , , , ,mas decidimos escolher este tema devido à sua importância nos dias de hoje,já que é um tema muito debatido.
O nosso grande objectivo é o de alertar as pessoas para as consequências de cada vício,bem como o fornecimento de informações relativamente ao tema tratado.
Passou-nos inicialmente pela cabeça,diversos temas como por exemplo:um trabalho de apresentação e promoção da escola, , , , ,mas decidimos escolher este tema devido à sua importância nos dias de hoje,já que é um tema muito debatido.
O nosso grande objectivo é o de alertar as pessoas para as consequências de cada vício,bem como o fornecimento de informações relativamente ao tema tratado.
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