sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Jogo patológico

O jogo é para a maioria das pessoas uma actividade recreativa, sem consequências negativas. O jogo afecta apenas uma minoria das pessoas, de forma grave. Esta gravidade varia de intensidade conforme as pessoas e o seu contexto ambiental. As variantes começam na genética e na biologia, passam pelo ambiente familiar, social e cultural, terminando nas características, traços de personalidade, ou mesmo, no facto de residirem perto de um local de jogo, ou não. Tal como as variáveis que predispõem um jogador a tornar-se compulsivo são inúmeras, também as características que fundamentam a base do tratamento são múltiplas. Existe um saber muito próprio no conjugar de todos os factores terapêuticos aplicados àquela pessoa; “própria e específica”, que é diferente de todas as outras, apesar das semelhanças e características comuns desta população.

O típico jogador patológico tem de facto competências óptimas a nível profissional, social, até há quem defenda que possuem um QI mais elevado que a média, etc. No entanto têm uma rede de crenças/distorções cognitivas; uma impulsividade; uma forma incapaz e danosa de identificar e gerir sentimentos, que os arrasta para comportamentos destrutivos. É desta forma, que supostas qualidades revertem no manter de uma atitude egocêntrica que prejudica o próprio e todos à sua volta.

Por isso se sabe, que quando existe motivação para o tratamento e também uma rede assente na família, no cônjuge, no trabalho, na psicoterapia, nos grupos de auto-ajuda (para os próprios e familiares) as percentagens de sucesso aumentam consideravelmente.

Felizmente, em países mais desenvolvidos socialmente e economicamente, uma percentagem dos lucros dos casinos e dos impostos colectados pelo estado, são canalizados para a investigação, para centros de tratamento, para linhas de ajuda, para promoção da prevenção deste comportamento compulsivo (jogo responsável) a todos os níveis, etc., o que nos permite ter algumas ideias sobre o que fazer em Portugal. Lembrando que não existem praticamente estudos elaborados nesta matéria, excepção feita a alguns trabalhos universitários que apenas arranham a superfície do “iceberg”, seria urgente começar trabalhos de investigação em profundidade antes que o problema se agrave.

Urge começar a tomar medidas, pois parece aproximar-se a abertura de uma vaga de casinos, que promete aquecer o país, correndo o risco de se tornar num problema de saúde pública como já aconteceu noutros países (bem mais desenvolvidos).

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